quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Em busca das raízes cristãs-novas


Em Portugal, a lenda negra da Inquisição nunca passará a cor-de-rosa. Há nos Arquivos 40 000 processos que o impedem. 

Arlindo Correia*

Em busca das raízes cristãs-novas  I
A procura das raízes cristãs novas na investigação da genealogia familiar, ou porque os antepassados viveram numa região de forte implantação cristã-nova, ou porque uma inquirição de genere levantou suspeitas sobre a "mácula" de sangue judeu num longínquo avoengo do habilitando, nosso parente, é um problema que se coloca a muitos de nós.

E não é uma procura fácil, como terão ocasião de comprovar, quando se embrenharem nos meandros dos processos. Vão ter que se meter na pele de um detective, honesto e exigente, empenhado na procura da verdade, que nada aceita , sem o fazer passar por um crivo crítico.

São os processos da Inquisição fontes privilegiadas para essa investigação. e o excelente artigo de Arlindo Correia  Os Processos da Inquisição  um guia precioso para aprender a consultá-los.
_______________

*Arlindo Correia, advogado, actualmente aposentado, é autor de numerosos trabalhos, sobre a temática da Inquisição, disponibilizados on line. Pelo seu rigor, patente na bibliografia, na indicação das fontes e na fundamentação das perspectivas, é um dos "meus autores de eleição".



                                       Em busca das raízes cristãs-novas II

Com a publicação dos índices do Tribunal da Inquisição de Coimbra, relativos aos processos por Judaísmo, damos mais um passo na busca das raízes cristãs novas, que interessam muitos dos nosso pesquisadores.
Duas palavras se impõem desde já: um objectivo deste blog  é proporcionar instrumentos de investigação para  as buscas genealógicas, elaborados com base nos documentos disponíveis on line, fruto da nossa própria experiência amadora, sem veleidades de nenhuma especialização e que partilhamos com outros amadores, como nós interessados nesta temática. Assim, conhecimentos especializados sobre esta problemática deverão ser procurados em outras fontes.
Os índices que vão sendo publicados (é um trabalho moroso, quer pelo número de processos, quer pela dificuldade inerente à inconsistência das descrições arquivísticas, a exigir intervenção manual casuística) contêm uma coluna  titulada Distrito referente aos Distritos e Concelhos actuais das naturalidades mencionadas, destinada à localização dos Arquivos onde poderão ser procuradas informações genealógicas complementares, já que a indicação dos Bispados associados à localidade é de localização mais difícil.

Em 1541, D. João III ordenou que fosse "feita a Inquisição" nos bispados do Porto, Lamego e Coimbra. O estabelecimento da Inquisição em Coimbra foi confiado a D. Bernardo da Cruz, bispo de São Tomé, e a Gomes Afonso, prior da Colegiada de Guimarães. O cardeal D. Henrique dirigiu-lhes as primeiras instruções para o seu funcionamento, datadas de Évora, a 5 de Setembro. Foram as primeiras normas portuguesas, uma vez que até então o Tribunal português se regera pelas espanholas.
Os regimentos (1552 e 1570), respectivamente da Inquisição e do Conselho Geral, estipulavam que cada tribunal visitasse periodicamente as zonas que lhe estavam adstritas, o chamado distrito da Inquisição, que no caso de Coimbra correspondia à zona norte do país. Após o perdão geral concedido em 1547, o tribunal de Coimbra foi encerrado, só voltando a ser reaberto em 1565. 

(Fonte A.N.T.T)
Fonte: http://genealogiafb.blogspot.com.br/2015/03/em-busca-das-raizes-cristas-novas-ii.html

                                          Em busca das raízes cristãs-novas III

Raízes cristãs-novas através dos processos do Tribunal da Inquisição de Lisboa relacionados com cristãos-novos, que se encontram todos digitalizados. 
A coluna do Excel intitulada Distrito é referente aos Distritos actuais das localidades mencionadas na naturalidade e, na sua falta, na morada destinada à localização dos Arquivos onde poderão ser procuradas informações genealógicas complementares.



PROCESSOS INQUISIÇÃO DE LISBOA - CRISTÃOS-NOVOS
DISTRITODISTRITOREGIÃO
AveiroLeiriaAçores
BejaLisboaMadeira
BragaPortalegreÁfrica-Ásia
BragançaPortoBrasil
Castelo BrancoSantarémEspanha
CoimbraSetúbalOutras Nações
ÉvoraViana CasteloNão Identificados
FaroVila Real
GuardaViseuLISTA GERAL

                                     Em busca das raízes cristãs-novas IV

A tabela dos processos segue o mesmo modelo da tabela de Inquisição de Lisboa, com as diferenças inerentes às disparidade das descrições arquivísticas, bastantes vezes a exigir uma revisão da leitura documental de forma a corrigir erros, mas que não foi possível na falta de digitalizações.

Édito da expulsão de judeus e mouros de Portugal




Placa de granito em memória dos judeus perseguidos na sequência do édito de expulsão. Esta placa encontra-se afixada numa parede da Rua de São Bento da Vitória, na cidade do Porto. Esta rua e ruas adjacentes, como a de São Miguel, faziam parte da chamada Judiaria Nova do Olival. O nome Vitória, que posteriormente foi dado ao local, refere-se à "vitória" do cristianismo sobre o judaísmo. O texto em português inscrito na placa diz o seguinte:
Em memória de todos os judeus portugueses vítimas do infame decreto de 1496 que só lhes deu a opção à conversão forçada ou à morte.Terra não cubras o sangue deles pelo esquecimento.Que seja restituída a abençoada memória de todos aqueles e aquelas que durante cinco séculos mantiveram vivo o eco da palavra do Deus vivo actualizando a visão profética de Moisés no monte HorebA sarça ardia no fogo e a sarça não se consumiaAs almas ardentes deles não foram destruídas pelas chamas ou pelos seres que o queriam através das mais terríveis torturas obrigando-os a renegar a sua fé sublime na fonte da vida e amor
O justo vibra na sua fé

Para satisfazer uma exigência feita pelos Reis Católicos de Espanha, Fernando  e Isabel, como condição para a realização do seu casamento com a infanta D. Isabel, filha daqueles reis, o rei D. Manuel I de Portugal promulgou em 5 de dezembro de 1496 o seguinte édito de expulsão de judeus e de mouros do território português (algumas palavras possuem no original a letra u encimada por um til, que não é possível reproduzir aqui):

Que Judeus e Mouros se saiam destes Reynos, e nom morem, nem estem nelles. Porque todo fiel Christão sobre todas as cousas he obriguado fazer aquellas que sam seruiço de Nosso Senhor, acrecentamento de sua Sancta Fee Catholica, e a estas nom soomente deuem pospoer todos os guanhos e perdas deste mundo, mas ainda as próprias vidas, o que os Reys muito mais inteiramente fazer deuem, e sam obriguados, porque per Jesu Christo nosso Senhor sam, e regem, e delle recebem neste mundo maiores merces, que outra algua pessoa, polo qual sendo Nós muito certo, que os Judeus e Mouros obstinados no ódio da Nossa Sancta Fee Catholica de Christo nosso Senhor, que por sua morte nos remio, tem cometido, e continuadamente contra elle cometem grandes males, e blasfémias em estes Nossos Reynos, as quaes nom tam soomente a elles, que sam filhos de maldiçam, em quamto na dureza de seus corações esteuerem, sam causa de mais condenaçam, mas ainda a muitos Christãos fazem apartar da verdadeira carreira que he a Sancta Fee Catholica; por estas, e outras mui grandes e necessarias razões, que Nos a esto mouem, que a todo Christão sam notorias e manifestas, avida madura deliberaçam com os do Nosso Conselho, e Letrados, Determinamos, e Mandamos, que da pubricaçam desta Nossa Ley, e Determinaçam atá per todo o mez d'Outubro do anno do Nacimento de Nosso Senhor de mil e quatrocentos e nouenta e sete, todos os judeus, e Mouros forros, que em Nossos Reynos ouuer, se saiam fóra delles, sob pena de morte natural, e perder as fazendas, pera quem os acusar. E qualquer pessoa que passado o dito tempo teuer escondido alguu Judeu, ou Mouro forro, per este mesmo feito Queremos que perca toda sua fazenda, e bens, pera quem o acusar, e Roguamos, e Encomendamos, e Mandamos por nossa bençam, e sob pena de maldiçam aos Reys Nossos Socessores, que nunca em tempo alguu leixem morar, nem estar em estes Nossos Reynos, e Senhorios d'elles, ninhuu Judeu, nem Mouro forro, por ninhua cousa, nem razam que seja, os quaes Judeus, e Mouros Leixaremos hir liuremente com todas suas fazendas, e lhe Mandaremos paguar quaesquer diuidas, que lhe em Nossos Reynos forem deuidas, e assi pera sua hida lhe Daremos todo auiamento, e despacho que comprir. E por quanto todas as rendas, e dereitos das Judarias, e Mourarias Temos dadas, Mandamos aas pessoas que as de Nós tem, que Nos venham requerer sobre ello, porque a Nós Praz de lhe mandar dar outro tanto, quanto as ditas Judarias, e Mourarias rendem.


B'nei anussim: "filhos dos forçados"

Designa os descendentes de judeus convertidos à força (anussim) . É  uma expressão hebraica genérica e conceito historiográfico que se refere aos judeus convertidos ao cristianismo dos reinos cristãos da Península Ibérica que "judaizavam", ou seja, que continuavam a observar clandestinamente seus antigos costumes e sua religião anterior. 

São considerados B'nei anussim ou marranos  os descendentes dos judeus sefarditas portugueses e espanhóis que foram obrigados a abandonar a Lei judaica e a se converter ao cristianismo, contra a sua vontade, para escapar às perseguições movidas pela Inquisição.


Pesquisa de 
Jailto Cout 

ooOoo


Guia em espanhol ajuda leitor a descobrir se tem raízes judaicas

A Shavei Israel, ONG israelense que apoia em todo o mundo pessoas que buscam descobrir se têm ascendência judaica, publicou em espanhol o guia "Você tem raízes judaicas?"
A obra mostra como realizar uma pesquisa genealógica (incluindo como acessar os registros da Inquisição espanhola, quando e se for o caso), os sobrenomes judaicos mais comuns em diferentes partes do mundo, além de informar sobre costumes judaicos "escondidos", tais como o acendimento de velas e procedimentos de luto.
A próxima tiragem será publicada em português e abordará os Bnei Anussim no Brasil. Anuss, em hebraico, é aquele que tem vida oculta. No Brasil, refere-se aos descendentes daqueles que eram judeus dentro de casa e cristãos fora, durante o período da Inquisição, e que buscam retornar ao judaísmo.
O livro foi escrito pelo presidente da Shavei Israel, Michael Freund, e por seu diretor educacional, rabino Eliahu Birnbaum.

Faça o DOWNLOAD de  "VOCÊ TEM RAÍZES JUDAICAS?", em espanhol.

.ooOoo


Sobrenomes judaico-portugueses usados por judeus da Inquisição

Como se sabe, apenas sobrenome não indica que uma pessoa tenha ascendência judaica. Mas isso não é de se espantar em relação aos judeus portugueses, pois o mesmo acontece com sobrenomes alemães ou poloneses, por exemplo. O que realmente torna o sobrenome relevante, como judaico, é a pratica de tradições judaicas mantidas pela familia, principalmente entre os mais idosos, como avós e bisavós. Entretanto, com a presença de tradições, o sobrenome torna-se importante para a busca de um passado judaico "perdido" (Para conferir uma lista dessas tradições acesse o artigo "Costume dos Anussim nas tradições familiares"). Segue abaixo uma lista de sobrenomes frequentemente adotados pelos judeus na conversão forçada à religião católica, quando tornavam-se "cristãos-novos".



ooOoo


Cronologia Histórica da Comunidade Judaica Ibero-Brasileira

Entre os Séculos XII e XIII - Época de maior esplendor judaico na península ibérica, na Espanha.
1147- D. Afonso Henrique, na tomada de Santarém dos Mouros, encontrara ali proeminente colônia judaica, com autonomia em Portugal, numerosos durante toda a Idade Média.
Início do Século XIII - Tribunais do Santo Ofício da Inquisição, na Espanha
1383- Representantes da Aristocracia Burguesa, os chamados "homens bons", apresentam reivindicações à Rainha de Portugal, dentre elas uma que exigia a retirada dos judeus dos oficiais públicos. O "Mestre de Avis" (futuro D. João I) defende os judeus da "Gente Miúda" (um grupo do povo com motivos revolucionários).
Meados do Século XIV - Desencadeia na Espanha, perseguições aos judeus pelo baixo clero.
1391- Meados do séc. XV- Um Clérigo fanático declara um "Progon" em Sevilha, milhares de judeus morrem e são forçados a se converterem ao catolicismo na Espanha.
1449- É posto em vigor a primeira lei de "limpeza de sangue", os judeus são proibidos de ter acesso a inúmeros cargos públicos, honras e profissões na Espanha.
1449- O corregedor de Lisboa manda açoitar publicamente certos cristãos, que tinham insultado judeus na rua.
1478- Para combater o "marranismo" os Reis Católicos obtêm do Papa, uma bula instituindo a "Inquisição em Castela", na Espanha.
1487- O primeiro livro impresso em Portugal foi a Torá (Pentateuco) em caracteres hebraicos.
1480-1492- Período de grande perseguição, nestes anos cresceu um estado de miséria por toda comunidade judaica na Espanha.
1491-1492 - Os Reis Católicos ordenam a expulsão dos judeus da Espanha; muitos vão para Portugal e para o Norte da África
1492- Desaparecimento dos judeus mosaicos e judeus marranos na Espanha.
1495-1496- D. Manuel por casar com a filha dos "Reis Católicos" (Rainha Isabel) comprometeu-se em expulsar os judeus que viviam em seu reino.
1495- Os judeus recém chegados à Portugal pela expulsão espanhola se tornavam escravos, mas D. Manuel deu-lhes liberdade quando subiu ao trono.
1496 - O Rei D. Manuel declara a expulsão dos judeus que não aceitassem ser batizados; nada muito ofensivo, era apenas uma estratégia política (cumprimento de seu compromisso com os reis católicos).
1496-1497 - Crianças judias menores de 14 anos foram obrigadas a se batizarem e foram adotadas por famílias cristãs (católicas).
1497 - (04 de Maio). Saiu uma lei que proibia que se fizessem indagações sobre crenças dos novos convertidos.
1499 - (21 e 22 de Abril). Proibição da imigração de cristãos-novos de Portugal por D. Manuel.
1500 - O Brasil é descoberto pela Esquadra de Pedro Álvares Cabral, abrindo-se, assim, um "Mar Vermelho" para os judeus portugueses que corriam risco de vida.
1503 - O judeu Fernando de Noronha lidera um grupo de judeus portugueses e apresenta a D. Manuel a primeira proposta de colonização do território brasileiro.
1506 - Milhares de judeus foram assassinados e queimados barbaramente pelo Progon de Lisboa.
1507 - (1.º de Março). Lei que abolia qualquer discriminação aos cristãos-novos, permitindo-lhes os mesmos direitos dos cristãos-velhos.
1515 - (26 de Agosto). D. Manuel pede ao Papa uma inquisição segundo o modelo de castelhana.
1516 - D. Manuel distribui ferramentas aos que mudassem para o Brasil. Ele queria implantar engenhos de cana nesta terra "recém descoberta". Milhares de judeus aproveitam esta oportunidade.
1524 - D. João III confirma as leis de D. Manuel contra a discriminação.
1524 - (Junho). Assassínio de Firme Fé. (12 de dezembro). Lei em confirmação da de Março de 1507, sobre os direitos iguais dos conversos.
1525 - Instrução a D. Martinho de Portugal, para pedir ao Papa a Inquisição.
1531 - Dita para Braz Neto, com o mesmo fim. (17 de Dezembro). Frei Diogo da Silva nomeado primeiro Inquisidor.
1531 - Martin Afonso de Souza, discípulo do judeu Pedro Nunes Português, foi mandado pelo Rei D. João III para a primeira expedição sistemática colonizadora.
1531 - Terremoto em Portugal. Os frades de Santarém diziam ser um castigo de D-us pela tolerância quanto à permanência dos judeus no seu seio.
1532 - (14 de Junho). Proibição por 03 anos de saírem do Reino os cristãos-novos.
1533 - Martin Afonso de Souza funda o primeiro engenho de açúcar no Brasil.
1534-1560 - Período de crise no monopólio português.
1535 - (14 de Junho). A mesma proibição de 1532 é renovada por outros três anos. (12 de Outubro). Paulo III concede perdão geral aos culpados de judaísmo.
1536 - (Janeiro). Tentativa de morte de Duarte da Paz. (23 de Maio). Bula de Paulo III que institui a Inquisição em Portugal. São isentos por dez anos de confiscação os bens dos réus condenados. (22 de Outubro). Publica-se em Évora o estabelecimento da Inquisição. 1540 - (20 de Setembro). Primeiro auto da fé em Lisboa.
1544 - (22 de Setembro). Paulo III manda suspender a execução das sentenças do Santo Ofício.
1546 - (08 de Agosto). Prorroga-se por mais um ano a isenção dos confiscos.
1547 - (15 de Junho). Renova-se por mais três anos a proibição de saírem do Reino os cristãos-novos. (11 de Maio). Segundo perdão geral. (16 de Julho). Bula de Paulo III restabelecendo a Inquisição. Suspende-se por mais dez anos a pena de confisco.
1558 - Prolonga-se por mais outros dez anos a concessão acima.
1560 - Inaugura-se a Inquisição em Goa.
1567 - (30 de Junho). Alvará que proíbe saírem do Reino, por mar ou por terra, os cristãos-novos.
1573 - (02 de Junho). Renova-se a proibição.
1577 - (21 de Maio). Anula-se a mesma. (05 de Junho). A coroa concede, por dez anos, a isenção dos confiscos, a troco de um serviço de 225 mil cruzados.
1577 - Término do domínio espanhol sobre Portugal. Muitos judeus vieram para o Brasil direto da Península Ibérica. Alguns destes foram para a América do Norte, Holanda e América Espanhola.
1579 - (19 de Dezembro). São restabelecidos os confiscos.
1580 - (18 de Janeiro). Revoga-se a permissão de livre saída do Reino.
1587 - (26 de Janeiro). Lei que confirma a antecedente, e todas as anteriores de sentido igual.
1591 - Primeira visitação do Santo Ofício ao Brasil.
1591 - O Santo Ofício continha um documento que denunciava práticas judaicas e ritos judaicos.
1591-1618 - Os judeus se espalharam por todo o Brasil, principalmente para o Sul.
1601 - (04 de Abril). Licença para a saída do Reino e promessa de nunca mais se renovar a proibição. Serviço de 170 mil cruzados.
1605 - (16 de janeiro). Perdão geral. Donativo de 1.700.000 cruzados.
1610 - (13 de Março). Retira-se a concessão de saída de 1601.
1618 - Segunda visitação do Santo Ofício ao Brasil.
1624 - Primeira condenação de 25 judeus cristãos-novos pela Inquisição de Lisboa.
1626 - Visitação a Angola.
1627 - (19 de Setembro). Édito de graça.
1629 - (23 de Maio). Junta dos prelados em Tomar. Primeira reunião. (17 de Novembro). A livre saída do Reino definitivamente restabelecida.
1630 - (15 de Janeiro). Sacrilégio de Santa Engrácia.
1631 - Projetos de expulsões e outros contra apóstatas.
1637-1644 - Tempos áureos para os judeus no governo holandês de Maurício de Nassau. Neste período, funda-se a 1ª Sinagoga "Zur Israel", em Pernambuco, quando vem da Holanda o 1º rabino de descendência portuguesa Isaac Aboab da Fonseca.
1649 - (06 de Fevereiro). Alvará que isenta da confiscação a fazenda dos cristãos-novos. Contrato com a Companhia do Brasil.
1654 - Portugal retoma o domínio de Pernambuco, expulsando os judeus.
1654 - O 1º Judeu cristão-novo Antônio Félix de Miranda, dossiê 5002, é deportado para Portugal, condenado e queimado em Lisboa.
1657 - (02 de Fevereiro). Alvará que revoga o antecedente.
1671 - (11 de Maio). Roubo da matriz de Odivelas. (22 de Julho). Decreto de expulsão dos apóstatas penitenciados.
1674 - (03 de Outubro). Clemente X priva do exercício os Inquisidores.
1678 - (24 de Dezembro). Inocêncio XI suspende o funcionamento das Inquisições.
1681 - (22 de Agosto). O Santo Ofício é restabelecido como anteriormente era.
1682 - (18 de Janeiro). Auto da fé em Coimbra, o primeiro depois da interdição.
1683 - (09 de Setembro). Lei de expulsão dos heréticos penitenciados.
1765 - (27 de Outubro). Último auto da fé público; último em que sai um judaizante.
1768 - (05 de Outubro). Lei pombalina (Marquês de Pombal) contra os chamados Puritanos.
1773 - (25 de Maio). É abolida a distinção de cristãos-velhos e cristãos-novos.
1774 - (01 de Setembro). Último regimento do Santo Ofício.
1770-1824 - Período de liberalização progressiva, queda da imigração judaica e gradual assimilação dos judeus.
1824-1855 - Fase da assimilação profunda, subsequente à cessação completa da imigração judaica homogênea e à igualização total entre judeus e cristãos perante a lei.
1855-1900 - Período pré-imigratório moderno, caracterizado pelas primeiras levas de imigrantes judeus, oriundos, sucessivamente, da África do Norte, da Europa Ocidental, do Oriente Próximo e mesmo da Europa Oriental, precursores das correntes caudalosas que, nas primeiras décadas do século XX, viriam gerara e moldar a atual coletividade israelita do país.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Manoel Fonseca de Medeiros, pai de Bianor de Medeiros



INVENTÁRIO DE MANOEL FONSECA DE MEDEIROS - 3/2/1884
 Bens:
 -  uma casa  térrea sob o número 16 ao Beco do Pocinho, na freguesia do Santíssimo Sacrossanto Antônio, assente em terreno próprio, medindo três metros e sessenta centímetros de frente, com uma porta e uma janela, com 14 metros de fundo, com duas salas, dois quartos, cozinha externa,  quintal murado com portão que bota par ao Beco do Falcão, cacimba, avaliada em 500$000 - quinhentos mil réis.
 - uma casa térrea sob o número 67, freguesia do Santíssimo Sacrossanto José, medindo cinco metros e três centímetros de frente, com uma porta e duas janelas, 2 salas, 2 quartos, quintal murado, e cacimba meeira, em terreno próprio, avaliada por 1.000$000 contos de réis.
          Fonte: Edital publicado no Jornal do Recife, Ano XXVII, nº 82,  8 de abril de 1884.

Notas:

-  Manoel Fonseca de Medeiros faleceu em 11/6/1876.  Deixou um filho, Bianor Gadault Fonseca de Medeiros à época com 18 anos, fruto de sua união com Maria Amélia Gadault de Medeiros

- Ricardo Fonseca de Medeiros, irmão de Manoel,  foi tutor de Bianor Medeiros  Há vários requerimentos dirigidos ao Juiz dos Órfãos, solicitando verba do Cofre Geral dos Órfãos para  pagamento de despesas com o curso de Direito. 

- No Instituto de Arqueologia, História e Geografia de Pernambuco (IAHGPE) há uma Planilha de Inventários e nela consta, em 1884:
  -  n.º 4227-  Manoel Fonseca de Medeiros e Maria Amélia Gadault de Medeiros 
               
ooOoo


Manoel Fonseca de Medeiros foi o autor do livro Noções de Escrituração Mercantil (1864).


                                                                             ooOoo

Encontrei muitas informações sobre o Bianor Gadault Fonseca de Medeiros, casado com Maria Cândida Goes Monteiro de Medeiros, e seus filhos (AmauryCoaracy e Caramuru de Medeiros), que vou compartilhar. 

Ancestrais de Maria Aurora de Medeiros Valença (mãe)


Atualizado em  8/10/2015

A busca pelos ancestrais não é nada fácil, principalmente quando a família tem por hábito homenagear parentes dando a seus filhos os nomes desses. Pior, quando eles se repetem em sucessivas gerações. No caso específico de Maria Aurora Medeiros Valença (Fonseca de Medeiros, quando solteira), deparei-me com dois nomes Manoel e Ricardo, que aparecem em períodos diversos  e em situações distintas. Basicamente, as informações que tenho deles são as que se seguem abaixo.

Manoel Fonseca de Medeiros (I)

Manoel Fonseca de Medeiros (I) e Clara Zeferina César tiveram dois  filho: 

- MANOEL FONSECA DE MEDEIROS (II)

- RICARDO FONSECA DE MEDEIROS (I) 



Manoel Fonseca de Medeiros (II)

Foi casado com Maria Amélia Gadault de Medeiros. Foram os pais de Bianor Gadault Fonseca de Medeiros. Este foi o pai de Amaury, Coaracy e Caramuru de Medeiros.

Ricardo Fonseca de Medeiros (I)

Ricardo Fonseca de Medeiros (I) casou-se em 1851 com Cândida Alexandrina, filha de Francisco Cordeiro da Fonseca e Ana Nfilha de Bernardo José Soares e Ana Cordeiro de Benevides Falcão. 

Tiveram 13 filhos: Ricardo (II), Manoel (III) / Yoyô, José Cândido, Francisco, João, Augusto, Antônio, Alfredo, Umberto, Ana César (26/9/1852 – 5/11/1937), Rita, Mariah e Tereza.

Nota: Os Benevides Falcão são citados por Ivete Cintra no texto A Chegada dos Valenças a S. Bento do Una.



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Ricardo Fonseca de Medeiros (II)

Pai: Ricardo Fonseca de Medeiros (I)
Mãe: Cândida Alexandrina
Avós paternos: Manoel Fonseca de Medeiros e Clara Zeferina César
Avós maternos: Francisco Cordeiro da Fonseca e Ana N(é filha de Bernardo José Soares  e Ana Cordeiro de Benevides Falcão 

Ricardo Fonseca de Medeiros (II) casou-se com Conceição Cordeiro da Fonseca. Filhos:

-
-
-



Manoel Fonseca de Medeiros (III), o Yoyô

Casado com Carlota Cavalcanti de Medeiros.



Sobre os vários Ricardo Fonseca de Medeiros



Há dois Ricardo Fonseca de Medeiros, pai e filho (meus tetravô e trisavô, respectivamente). O primeiro foi casado com Cândida Alexandrina de Medeiros e o segundo, com Conceição Cordeiro de Medeiros.  

Vou arquivar  por aqui o que for encontrando sobre eles, embora ainda não tenha certeza de quem seja o Ricardo (I) ou o (II). São trechos de livros que encontrei na internet, mas que ainda não li. Retomarei este tópico para as devidas atualizações à medida em que for identificando a quais dos Ricardos os autores do livro se referem.

Por enquanto, a única certeza que tenho é que Ricardo Fonseca de Medeiros (II)  foi  tio e tutor de Bianor Gadault Fonseca de Medeiros  (Bianor de Medeiros). A informação está no inventário (1884) de seu irmão, Manoel Fonseca de Medeiros (II)

Casos a definir:


Ricardo Fonseca de Medeiros, Tenente-Coronel, mestre do Bam. de Reserva nº 10 do Município de Caruaru, e professor público de Jurema (...)
  
Fonte: Cintra, Ivete de Morais. Gado Brabo de Senhores e Senzalas (pp. 139). Coleção Tempo Municipal, vol. 11 . FIAM / Centro de Estudos da História Municipal. Recife. 1988.



ooOoo


(...)  Professor Ricardo da Fonseca Medeiros, regente da cadeira de Quipapá (...)


Fonte: VALENÇA Jr., José Vicente. Quipapá: fases e aspectos de sua história‎  (pág. 119). 1986.
http://books.google.com.br/books?id=QN8rAAAAYAAJ&q=Bianor+de+Medeiros&dq=Bianor+de+Medeiros&lr=&as_brr=0&cd=32

                                                                            ooOoo


" (...) comunicação de que, aos 30 de outubro de 1854, o governo provincial assinara portaria "nomeando professor público da Instituição elementar do primeiro grau da povoação de Quipapá a Ricardo Fonseca de Medeiros, que obteve preferência no concurso que se procedeu para provimento daquela cadeira."
Fonte: BARBALHO, Nelson. Caruaru, de vila a cidade (subsídio para a história do agreste de Pernambuco)‎ - Página 87. 1980. 

Nota:  Ricardo Fonseca de Medeiros permaneceria ensinando em Quipapá até 1866.


  ooOoo



terça-feira, 4 de agosto de 2015

Francisco Claudino de Almeida Valença & Maria Aurora de Medeiros Valença. Obtuário


Esses foram  meus bisavós.

As lápides e o registro de óbito foram fotografadas por Paulo Foester.




    Local: Cemitério de Sanharó/PE





      "Aos 19 dias de junho, nesta Villa (...) faleceu Maria Aurora de Medeiros, de 85 (...) filha de Ricardo Fonseca de Medeiros e Conceição Cordeiro da Fonseca (...) Francisco Valença Motta."

Fonte: Family Search